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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Argentina, Chile e Bolíva

Em 2005 optei por fazer uma viagem pela América do Sul. O mês foi julho e quis aproveitar o inverno no hemisfério sul para esquiar. Primeiramente pararia em Buenos Aires para conhecer a capital portenha. Ouvi falar muito de uma cidadezinha que fica ao pé do Aconcágua chamada Mendoza. Uma cidade famosa pelo seu charme e suas vinículas. Resolvi inclui-la também. De Mendoza a Santiago optei por ir de ônibus, já que havia lido que o mais interessante dessa viagem é a paisagem dos andes quando se atravessa de ônibus. De Santiago gostaria de conhecer o Salar de Uyuni na Bolívia. Trata-se de um deserto de sal que antigamente foi um oceano. Fiquei muito impressionado com a literatura sobre o lugar, e também resolvi inclui-lo no roteiro. Para chegar ao salar uma das opções é sair de San Pedro de Atacama, no norte do Chile (já no deserto de Atacama). Então esse foi o roteiro decidido: Buenos Aires, Mendoza, Santiago, San Pedro de Atacama e Salar de Uyuni.


BUENOS AIRES

Cheguei em Buenos Aires no dia 08 de julho, e já havia reservado um Albergue um um ponto bastante central da cidade. Com malas em punho, saí do aeroporto e já me deparei com uma temperatura que particularmente me agrada muito: 9graus! Fiquei muito impressionado com as condições de conservação dos táxis no aeroporto. Todos caindo aos pedaços!! Já tinha ouvido falar que andar de táxi em Buenos Aires é muito barato, então já peguei logo o primeiro da fila e comuniquei ao motorista o endereço. Realmente o valor foi uma baba, comparado com o que pagamos normalmente no Brasil (o aeroporto internacional de Ezeiza, fia a 25 Km do centro). No caminho até o albergue pude contemplar a paisagem com mais atenção e logo fui gostando do que via. A escolha desse albergue foi a mais acertada possível. Ótima localização, ótima infra estrutura, excelente staff, enfim, definitivamente recomendo. Peguei um quanto privado com banheiro individual, o que melhorou mais ainda minha experiência. Paguei na época 69 dólares pelas 3 noites.


Taxi de Buenos Aires


Buenos Aires é definitivamente uma cidade encantadora. Apesar da clássica rixa atribuída ao futebol, os argentinos são pessoas agradabilíssimas e muito receptivas com os brasileiros. O estilo de vida é muito parecido com o europeu, e  a arquitetura também. É fato que já naquele ano a economia argentina não ia muito bem e isso era perceptível todo o tempo. Taxistas são sempre as melhores pessoas para se conversar quando estamos em um país desconhecido e o discurso da maioria que conheci era de uma tremenda insatisfação com o país, apesar do nacionalismo forte que possuem. Nosso real já estava bem valorizado em relação ao peso, logo tudo era muito mais acessível.


Estava hospedado muito próximo à famosa Avenida Nove de Julho. Com seus 140 metros de largura, é a via pública mais ampla de Buenos Aires e para sua construção, inaugurada em 1937, foi preciso demolir 5 quarteirões. Na esquina desta avenida com a Avenida Corrientes, está a Plaza de la República com seu grande Obelisco de 67 metros de altura,  um dos cartões postais de Buenos Aires.



Avenida Nove de Julho e o Obelisco

No primeiro dia fui caminhando até a sede do governo federal: A Casa Rosada. Localizada na Plaza de Mayo, possui fama internacional por também ser palco de manifestações políticas e artísticas, além dos mais importantes momentos da história da Argentina. No local existe também o Museo de la Casa Rosada. Ao norte da Praça fica a Catedral Metropolitana, que ocupa o mesmo lugar desde os tempos coloniais. Sua arquitetura mistura vários estilos e em seu interior existem várias estátuas preciosas do século XVIII. Dentro da Catedral está a sepultura de San Martin, que entrou para a história como o Libertador das Américas.



Casa Rosada

O Teatro Colón é uma visita obrigatória em Buenos Aires. Se o tempo for curto para assistir um espetáculo, pelo menos faça uma visita guiada para apreciar essa maravilha. Situado na Avenida Nove de Julho é uma obra prima da arquitetura e seu interior é deslumbrante.


Teatro Colón

Uma rua de Buenos Aires muito apreciada pelos brasileiros é a Calle Florida. Nesta rua não passa carro e existem lojas para todos os gostos e bolsos, além de bares restaurantes e um maravilhoso centro comercial chamado Galeria Pacifico. Esta Galeria está localizada em um  edifício inaugurado em 1895 e considerado um dos mais bonitos de Buenos Aires.


Galeria Pacífico


Um dia merece ser reservado para bater perna no bairro Palermo. Este bairro é dividido em Palermo Chico e Palermo Viejo.O primeiro mais tradicional, com predominância de museus, embaixadas e mansões. O segundo, dividido em Palermo Hollywood com vários estúdios, produtoras de TV e cinema além de excelentes restaurantes e  Palermo Soho, totalmente descolado, com lojas bacanérrimas e um clima que lembra muito o Soho de New York.


Palermo

Jardim Japonês em Palermo

Outro bairro famoso que merece destaque é a Recoleta. Reduto da aristocracia portenha, une elegância e sofisticação através de seus museus, galerias, cafés e boutiques. Apesar de ser um passeio que não me atrai, vários turistas querem ir ao cemitério da Recoleta por possuir tumbas que são consideradas verdadeiras obras de arte e visitar o de Evita Perón que encontra-se enterrada lá. Também na Recoleta, mais precisamente na Plaza de las Naciones Unidas, está a famosa escultura de aço e alumínio em formato de flor que graças a um sofisticado sistema abre suas "pétalas" durante o dia e as fecha à noite.

Flor da Plaza de las Naciones Unidas

San Telmo é outro bairro muito procurado.Com suas casas coloniais, ruas de paralelepípedo é sede de importantes antiquários, galerias de arte e das principais casas de tango da cidade. Aliás ir a Buenos Aires e não assistir um bom espetáculo de tango é uma gafe e tanto. O Caminito, também localizado em San Telmo é uma "rua-museu", com uma explosão de cores que fascina. Bem ao lado fia o pitoresco bairro de La Boca, famoso por suas casas coloridas e principalmente por sediar o estádio de futebol do Boca Juniors.


Caminito

Um programa imperdível aos domingos é a Feira de San Telmo. Só o fato de estar lá já é uma experiência única. Nesta feira existe uma misturada de antiguidades, artesanato, novos estilistas querendo vender suas peças, quinquilharias, enfim, de tudo um pouco. Caso não esteja com paciência para compras, sente em um dos cafés ou restaurantes e se delicie com o vai e vem das pessoas. A qualquer momento um artista poderá fazer um número interessantíssimo ao seu lado, ou um casal lhe apresentar uma coreografia de tango. O fato é que surpresas nesta feira sempre acontecem.


Apresentação de tango na feira San Telmo


Puerto Madero é o bairro mais novo de Buenos Aires. Completamente revitalizado, possui uma agradável vista do rio La Plata e é repleto de bons restaurantes além de um cassino. O bairro vem se tornando um dos mais valorizados da cidade e seu diferencial é mesmo o visual.


Puerto Madero


A vida noturna em Buenos Aires é sensacional. Dos clássicos espetáculos de tango ao que há de mais moderno em música eletrônica todas as tribos se divertem. Nesta viagem fui a várias casas noturnas e destaco como as melhores: Pachá, Mint e Palácio. Já voltei a Buenos Aires mais duas vezes e novas excelentes casas noturnas foram abertas, mas estas três continuam lá, com a mesma qualidade do ano de 2005.

Enfim, Buenos Aires é uma cidade que mistura harmonicamente o clássico e o moderno. Suas ruas e avenidas pulsantes, cafés, teatros, monumentos somados a uma população festeira e receptiva como a brasileira confere a quem visita essa cidade uma experiência fantástica. Estar na capital Portenha pela primeira vez é a premissa para querer voltar várias e várias vezes. 

Albergue em Buenos Aires
Milhouse Hostel
Hipolito Yrigoyen, 959
C1086AAO
Tel: 54-011-43459604
hostels@hostels.org.ar
info@milhousehostel.com

MENDOZA

Mendoza fica ha 1060 km de Buenos Aires e eu estava muito resistente a fazer esse trajeto de ônibus. O fato era que as Aerolíneas Argentinas estavam de greve e eu poderia ter problemas com o embarque, então escolhi um ônibus leito e encarei a parada. Foi no mínimo divertido porque até bingo faziam na tentativa de diminuir o tédio de estar tantas horas em um ônibus. 

Cheguei em Mendoza por volta das 10:00 hs e o frio estava de lascar. O albergue escolhido ficava em uma ótima localização, porém era aquele esquema clássico de albergue: quartos com um monte de gente, malas espalhadas pelo quarto e um entra e sai o tempo inteiro. Foi a época que comecei a pensar em gastar um pouco mais e optar por hotéis....

Mendoza  fica ao pé do monte Aconcágua, que é o mais alto das Américas, com 6962 m de altura. O turismo de aventura, como snowboard, cavalgadas, trekking, montanhismo e espeliologia fez de Mendoza um destino muito procurado para quem curte estas atividades.


Mendoza - Plaza Espanha

Mendoza

Conhecer as vinícolas e as fazendas com suas oliveiras para a fabricação do azeite é um passeio imperdível. Nas visitas às vinícolas conhecemos todo o processo da fabricação do vinho e depois é possível degustá-los e ter uma aula de como combinar pratos com os vinhos adequados. De quebra podemos comprar os vinhos com preços muito atrativos.


Parreiras Mendoza

Vinícola

Oliveiras


Mendoza é uma cidade muito charmosa e caminhar por ela é muito agradável. Uma visita ao Parque San Martin é obrigatório. Com aproximadamente 307 hectares é uma das áreas verdes mais importantes da Argentina. É extremamente bem cuidado e tem vários rios de água cristalina que o cruzam proveniente do derretimento das geleiras nos Andes. 

Parque San Martin



Planta Parque San Martin



Várias excursões saem de Mendoza em direção ao Monte Aconcágua. Pode-se optar por vários níveis de dificuldade para este passeio que vai desde ao pé do monte e seu acampamento base, a escaladas mais profissionais. Sempre esbarramos com escaladores que têm como projeto chegar ao cume do monte.

Aconcágua
Albergue em Mendoza
Hostel Mendoza - Inn
Aristides Villanueva, 470
Tel 54 0261 4380818
info@mendozahostel.com






SANTIAGO

A distância entre Mendoza e Santiago é de aproximadamente 370 Km. Resolvi que faria o percurso novamente de ônibus, porque a experiência da atravessar os Andes me fascinava. O percurso tem trechos muito sinuosos e leva aproximadamente umas 9 horas, porém cada kilometro vale a pena. A parte mais chata é a imigração porque toda bagagem é conferida e gasta-se muito tempo, mas tirando isso é uma viagem fantástica. Outro item que pode atrapalhar é caso algum trecho fique interditado pela neve. Eu dei uma sorte tremenda porque fiquei sabendo no hotel, que no dia seguinte da minha chegada uma barreira caiu e a estrada ficou fechada por 4 dias. Certamente não deve ser uma experiência nada agradável. Desta vez optei por ficar em um hotel. O escolhido chamava-se Plaza Londres e era bem antigo, porém muito bem localizado e com preços atrativos. Existia todo tipo de quarto, de banheiro comunitário externo a suítes mais sofisticadas e por isso, preço para todos os bolsos. No primeiro café da manhã descobri que a cozinheira era brasileira. Já logo fiquei amigo dela e meu café era feito à parte, com tudo que eu mais gostava.... Mordomia total rsrs.

A Avenida principal de Santiago chama-se O'Higgins e o hotel estava a uma quadra dela, em um pequeno bairro chamando Paris Londres com uma arquitetura dos anos 20 totalmente preservada. Deste ponto, os principais pontos turísticos de Santiago podem ser percorridos a pé. Para maiores distâncias, o metrô atende bem. 

Por onde se anda em Santiago é possível avistar os Andes. Aquele paredão com o cume branco domina a paisagem da cidade. É bem verdade que Santiago tornou-se um ponto de partida para turistas que desejam ir ao deserto de Atacama ao norte,  à Patagônia Chilena ao Sul às cidades litorâneas como Valparaíso e Vina del mar, ou até às pistas de esqui do Valle Nevado, mas ainda assim vale muito reservar uns 3 dias para conhecer a capital Chilena. 

Como pontos de interesse, destaco o Palácio de la Moneda, que é a sede do governo Chileno e do poder executivo. É permitido o acesso apenas em seus pátios internos. No piso inferior foi inaugurado recentemente o centro cultural La Moneda com várias exposições, principalmente sobre o povo Chileno. 



Palácio La Moneda


O Cerro Santa Lucia, localizado no bairro Lastarria, é o lugar ideal para quem quer visitar um parque com arquitetura diferente. São 70 metros de escadas e rampas, mas quando se chega ao topo, tem-se uma vista de Santiago que compensa o esforço. A cidade de Santiago foi fundada aos pés deste morro, em um acampamento indígena às margens do rio Mapocho (que corta a cidade), em 13 de dezembro de 1541.


Entrada Cerro Santa Lucia


Outro lugar de interesse é o Cerro San Cristobal. Com seus 727 hectares é possível chegar ao cume de várias formas, porém o funicular é a forma mais agradável e tradicional. A vista de Santiago do alto deste parque é fantástica.  Se a poluição não tiver muito forte, sua foto sairá com uma bela vista dos Andes ao fundo!. Pegar o teleférico que faz a conexão entre os dois morros é parte obrigatória do passeio. Uma caminhada pelo parque sem direção também é muito prazerosa.Você encontrará várias trilhas, piscinas, viveiros, área para piquenique e até um zoológico.  Para quem nunca viu uma, na porta do parque existem algumas lhamas com quem você pode tirar umas fotos (obviamente dando uma "gorjeta" para o proprietário). Ao redor do Cerro San Cristobal existem vários restaurantes para todos os gostos e bolsos.


Cerro San Cristobal

Teleférico Cerro San Cristobal


Uma sugestão é conhecer o Mercado Central de Santiago. Normalmente costumo ir ao mercado central das cidades que viajo pois acho que retrata bem a cultura local  e o de Santiago é perfeito para almoçar um bom prato de frutos do mar. Não se engane que pagará muito menos que um restaurante comum, mas com certeza comerá muito bem e produtos muito frescos.  


Mercado Central


O Museu de Belas Artes, também deve ser visitado. Além da arquitetura belíssima existem exposições durante quase o ano todo. Na ocasião dei muita sorte de estar sendo exibida as esculturas de Rodin. Ver " O Pensador" de perto foi um privilégio!


Museu de Belas Artes


Quem quiser ir a uma vinícola (os vinhos chilenos são mesmo muito bons), a mais visitada é a Concha Y Toro. Informe-se no seu hotel, pois existem passeios diários para esta vinícola.


Entrada Vinícola Concha Y Toro


Santiago é um free shopping a céu aberto. Existem muitas lojas e os preços são realmente convidativos. No mês que estive na cidade era época das "rebajas" (liquidação em português), e os preços eram inacreditáveis. Não esqueço que comprei um aparelho de DVD da LG que na época me custou 45 reais enquanto no Brasil o preço era algo como 200 reais. Fiquei com medo de ser porcaria, mas pelo preço resolvi correr o risco e não é que funciona até hoje? Roupas então era uma pechincha. Prepare o cartão de crédito, porque você usará muito!

Fiquei por três dias em Santiago, sendo que os dois primeiros conhecendo a cidade propriamente dita e no terceiro contratei uma Van para me levar ao Valle Nevado para esquiar. Como não tinha muita experiência no esporte, resolvi também contratar uma aula particular de aproximadamente uma hora. (tudo me custou como 90 dólares - transfer, entrada no parque, aula e aluguel da roupa). Após cerca de 15 minutos da aula o instrutor disse: cara, você não precisa de aula! Pode ir direto para a pista de iniciantes que já está apto a esquiar! Bendito patins que eu andava muito quando criança. Desci a primeira vez pela iniciante e já logo me aventurei na intermediária e me saí muito bem! Caía toda vez que descia do teleférico, é fato, mas na pista mesmo, nem um tombo!!! Foi um dia agradabilíssimo. A estrutura do Valle Nevado é fantástica e tem pistas para todos os níveis. Mesmo não sendo tão barato, indico que reserve um dia para esse passeio. No alto da montanha existem alguns hotéis para quem quiser esquiar por mais dias e preferir já se hospedar por lá. Detalhe: Não esqueça o óculos escuro porque a claridade e o branco da neve podem prejudicar a visão. 


Valle Nevado


Hotel Valle Nevado

Pistas esqui Valle Nevado


O próximo destino era o deserto do Atacama e como o objetivo era uma excursão até o salar de Uyuni, não queria carregar toda minha bagagem (precisaria apenas de uma mochila com peças básicas). Contratei o mesmo motorista da Van que me levou ao Valle Nevado e ia deixar minhas malas em um locker no aeroporto. Como ficaria 5 dias fora o valor ficou impraticável (a diária era caríssima). Então o motorista da van se ofereceu a voltar com as malas para o hotel e no dia que eu voltasse ele levaria ao aeroporto para mim. Não tinha muitas opções e resolvi confiar. Foi a melhor coisa que eu fiz, e tudo deu certo com um custo de um décimo do plano original que era o locker do aeroporto!

Hotel em Santiago
Hotel Plaza Londres
Rua Londres, 77
www.hotelplazalondres.cl
halameda@entelcile.net




SAN PEDRO DE ATACAMA - SALAR DE UYUNI

Peguei um vôo da Lan Chile até a cidade de Calama, e depois um ônibus até San Pedro de Atacama. A cidade é um ponto de partida para excursões até o Salar de Uyuni. Já no ônibus, conheci uma Austríaca super simpática, apaixonada pela natureza e particularmente pela ilha de galápagos. Ela foi minha companheira pelos 5 dias em Atacama.


Chegada a San Pedro Atacama


Chegamos em San Pedro e já fui direto para uma "pensão" que tinha reservado tentar um quarto também para minha nova amiga Austríaca que ainda não tinha lugar para ficar. Depois de muito chorar a recepcinista conseguiu colocá-la compartilhando um quarto duplo com uma outra turista que estava sozinha. Tomamos um banho e fomos passear pela cidade. San Pedro é um charme só. A cidade é linda e dominada por viajantes que estão sempre indo ou vindo para algum lugar. Estava sendo gravada uma novela da rede globo na época (não me recordo qual), e a cidade estava repleta dos globais. Os restaurantes são de muito bom gosto e com pratos deliciosos. Os vinhos então nem se fala. Essa noite jantamos em um restaurante bacanérrimo e tomamos um pileque que só aumentou o cansaço e nos fez despencar na cama.


Igreja em San Pedro Atacama


No outro dia saímos em busca das agências de turismo para encontrar o melhor custo-benefício para nossa excursão ao Salar de Uyuni. Tinha visto várias fotos fantásticas desse lugar e meu objetivo desde que comecei a idealizar esta viagem no Brasil era conhecê-lo. Os preços não se alteravam muito entre as agências, então escolhemos a maior delas e compramos o pacote. Ao nosso lado tinha um casal de franceses que também estavam procurando o mesmo roteiro e como cada jipe (essa era nossa locomoção) comportava 5 pessoas, eles se juntaram a nós e formamos nosso grupo. A descrição do roteiro é encantadora, mas o próprio vendedor da agência nos alertou. Vocês verão paisagens de encher os olhos, mas esta experiência será sofrida. Ouvi com atenção e não tive a noção da proporção deste sofrimento. Só no final de tudo pude perceber.... Mas o fato é: valeu MUITO a pena!!!

Após a decisão do pacote fomos passear pela cidade. San Pedro é o tipo de lugar onde ninguém conhece ninguém mas em 2 horas por lá, você já se torna amigo de quase todo mundo. É um lugar mágico. Tínhamos a opção de também conhecer o Vale da Lua, que é um lugar muito visitado para quem está em San Pedro e dura apenas 1 dia, mas gostamos tando da cidade que optamos em não conhecer. Sugiro que se tiver tempo conheça, pois o relato dos que foram é sempre muito bom. À noite nos encontramos com o casal francês para tomarmos uns Piscos (bebida típica da região feita a base de clara de ovo). Sentamos em um bar que tinha uma mega fogueira, música boa, muitos Piscos e muita conversa boa. Resultado: Outro pileque!!! Já era hora de voltar para a cama pois a jornada no outro dia seria longa.

Acordamos bem cedo e fomos ao ponto marcado encontrar com o guia. O morador de metrópole aqui, nada acostumado com essa vida de montanha e neve tinha na bagagem apenas moletons, e jaqueta de couro. O casal de Francês que mora na montanha (inclusive se casaram no alto de uma) estava todo equipado, inclusive com sacos de dormir. Logo pensei: ops, terei problemas. Dito e feito. Mais adiante comento.

O passeio durava 3 dias e 3 noites e dormiríamos em locais entitulados "abrigos". Todo percurso seria feito em um jipe 4x4 pois o caminho era uma mistura de terra e pedras. Passaríamos por vulcões, lagos, gêiseres etc.  No quarto dia chegaríamos ao salar e voltaríamos em um ônibus pela rodovia o que levaria apenas algumas horas. 

Fomos apresentados ao nosso motorista e partimos no meio da manhã. A altura média que estaríamos durante o percurso era de 4600 metros. Fomos alertados sobre o mal das alturas, que dá enjôos e dores de cabeça. A forma de amenizar era mascando folhas de coca, porém só era permitido na Bolívia. Nas primeiras 2 horas já cruzamos a fronteira do Chile com a Bolívia. A imigração era uma casinha que mal mal cabia o responsável pela conferência dos passaportes. O passeio dia a dia foi feito da seguinte forma:

Dia 1: Após atravessar a fronteira, ingressamos no parque "Reserva Nacional" e pelo caminho passamos pela Laguna Branca, o Vulcão Licancabur, a Laguna Verde, os Geysers, a Laguna Colorada e terminamos o dia no tal Refúgio para dormir. Realmente as paisagens são de tirar o fôlego. Completamente diferente de tudo que já havia visto. Cada lugar que passávamos era uma surpresa! Esta foi a pior noite, porque a altitude era de 4680 metros e o mal das alturas realmente ataca. O ar é muito rarefeito e até para amarrar o cadarço do tênis dá falta de ar. Muitos sentem uma forte dor de cabeça e ficam enjoados. A comida é péssima. O Refúgio é uma espécie de galpão com todas as camas juntas e foi aí que entendi o porquê dos sacos de dormir dos franceses. O frio castiga e não existe nenhum tipo de calefação. Por mais cobertores que você coloca, o frio não passa. O casal de franceses vendo o frio que eu estava passando com minha jaquetinha de couro e meus moletons, acabou se sensibilizando e dormindo juntos em um saco de dormir e emprestando o outro. Só aí é que foi possível aquecer um pouco mais. Acordamos bem cedo (a cama não é nada confortável e não se faz a menor questão de permanecer nela) e fomos tomar café que também era muito simples.

Laguna branca e colegas da excursão

Laguna verde e vulcão Licancabur

Geysers

Laguna Colorada e Flamingos


Dia 2: Seguimos caminho bem cedo, logo após terminarmos o café. Passamos pelo deserto de Siloli, pelo deserto de pedra (também conhecido por Salvador Dali devido ao formato curioso das pedras com a ação do forte vento sobre elas), outras 3 lagoas (Ramaditas, Hediondas e Canapa), e passamos por alguns povoados altiplanicos, terminando em outro Refúgio já próximo ao Salar. Paramos em um destes povoados para almoçar na casa de uma moradora. Ela nos recebe na cozinha de sua casa e prepara nosso almoço. É de impressionar a pobreza em que vivem. As ruas são todas de terra (mais precisamente areia), venta muito e o frio é intenso. Confesso que não sei do que viveriam se não fosse os turistas que passam diariamente por estes povoados. A pobreza é grande. O que mais me impressionou é a forma que carregam suas crianças. Amarram uma espécie de lenço ao redor do corpo e colocam as crianças dentro deste lenço nas costas. Mesmo vendo várias delas chorando vi que as mães não dão a mínima. Uma cena muito triste, porém muito comum nesta região. Novamente fomos dormir no refúgio com as mesmas características do primeiro, porém com menor altitude: cerca e 3800 metros. 


Árvore de Pedra - Deserto de Pedra


Dia 3: Novamente retomamos nosso roteiro bem cedo e após aproximadamente 45 minutos já estrávamos no Salar de Uyuni. Neste momento fica confirmado que o sacrifício vale a pena. Apesar de ter presenciado paisagens incríveis nos dois primeiros dias, o salar de Uyuni e fenomenal. Apenas os guias conhecem bem o lugar, já que é um deserto branco onde é impossível ver os limites, o que dificulta muito o senso de direção. Várias são as histórias de aventureiros que se perderam neste local. Acho que agora com a popularização do GPS esses problemas devem ter minimizados. O salar é tão branco que óculos escuros são essenciais. Sem eles é praticamente impossível manter os olhos abertos. Rumamos deserto adentro em direção à Isla del Pescado. É uma elevação de terra no meio do salar com uma vegetação predominante de cactos gigantes. Paramos nesta ilha para subirmos e ver a imensidão do local que estávamos. Realmente é impossível ver os limites do salar. Seguimos mais adiante em direção ao hotel de sal. Hoje desativado serve apenas para visitação, mas já esteve em funcionamento. É muito interessante, pois tudo é feito de sal: paredes, teto, mesas, cadeiras, cama, enfim tudo! Depois fomos direto à cidade de Uyuni. No limite que divide o salar da cidade, é possível visitar alguns locais do salar que os habitantes retiram o sal para comercializá-lo. As chamadas "Minas de Sal" são fonte de renda para a população. Muitos artesãos também ficam à espera dos jipes que por ali chegam para oferecer suas peças. Chegamos na cidade já no final da tarde e fomos direto para outro alojamento (chamo este de alojamento porque a estrutura é um pouco melhor que a dos refúgios). No outro dia pegamos um ônibus pela manhã bem cedo e voltamos a San Pedro de Atacama. Saímos de Uyuni ainda escuro e novamente passamos um frio daqueles porque o ônibus não tinha calefação. Os primeiros raios de sol foram disputadíssimos pelas pessoas que estavam no ônibus para tentar aquecer um pouco. 


Salar de Uyuni

Salar de Uyuni

Salar de Uyuni e nosso jipe 4x4

Isla del Pescado


Hotel de Sal


Mesa e cadeira do Hotel de Sal


Resumindo a saga o que tenho a dizer é: Apesar do sofrimento, foi um dos passeios mais incríveis da minha vida. Indico que seja feito, porém se equipem melhor do que eu para minimizar o frio já que a altura é impossível. Na época de chuva, a água forma um espelho no salar que reflete o céu e duplica a imagem no infinito. Fui no período de seca e não presenciei isso, mas já ouvi relatos sobre este fenômeno e dizem que é maravilhoso!!! O deserto de Atacama é o mais seco do mundo e nunca chove. Dê preferência para estar na região em época de lua cheia. Você certamente terá a sensação que a lua é maior do que a vista na cidade grande!!!

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